sábado, 7 de novembro de 2009

Tailândia

10 de abril de 2008.

Hoje deixamos o continente rumo a Ko Jum

Foi a primeira vez que cortei água desde os tempos de Marinha, no Rio de Janeiro. O mar estava de almirante e a embarcação não jogou. Tive que buscar a popa e mirar a branca esteira d`água deixada pelas hélices. Pensei em como me ajudou a matar as horas de ócio no Minas Gerais, o velho elefante metálico.

À medida em que nos aproximávamos da ilha, os barqueiros iam deixando a praia, um por um, seguindo o barco de passageiros que já diminuíra a velocidade. Atrelavam suas canoas compridas e começavam a gritar os nomes de seus destinos, pequenas praias com bangalôs. O nosso não veio, mas não foi difícil chegar a Ao Si partindo da praia mais próxima.

Nosso bangalô fica ao pé de uma encosta, confundindo-se com o verde da mata, entre as quais reconheci um pé de castanhola. Não se via viva alma até onde a vista alcançava, a não ser por duas vacas que aproveitavam a sombra de um coqueiro.

A noite acaba de cair e eu me acomodei na varanda da cabana.

Ela se abrigou sob o mosquiteiro e esqueceu-se do mundo com um livro. A noite é profunda e nos cerca como um manto.

Daqui se pode ver a praia que se estende até a próxima vila. Além dela, no horizonte, brilham as luzes de uma ilha cujo nome não sei. Talvez seja o continente.

Posso ouvir o som da água arrebentando nas pedras, antes de recuar para tomar novo impulso. Algumas dezenas de metros e poderia molhar meus pés, mas prefiro fazê-lo amanhã à primeira hora.

Posso ouvir também os grilos, as cigarras e o vento que roça a pele com delicadeza.

Acima de todos os sons está a música de Tchaikovsky trazida à vida pelo lamento de um violino.