Acaba de sentar um albino na mesa oposta.
Ele abriu um livro e enfiou a cara na primeira página, do jeito que Sivuca faria com uma partitura - ou Borges com um poema. Cego Aderaldo não se sujeitaria a esta posição desconfortável. Só precisava das mãos e elas sabiam sempre colher sua rabeca com elegância.
O esforço pra ler não é pequeno. O movimento da cabeça lembra o vai-e-vem de um cilindro de máquina datilográfica.
Coitado.
Mas coitado de mim, que sinto pena - e que não toco rabeca.
sábado, 20 de novembro de 2010
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